OPINIÃO

Para onde vamos

(*) Cristovão Cursino

As recentes decisões de nossos governantes e seus representantes não foram suficientes para deixar cair por terra a disposição da comunidade de São José dos Campos, especificamente do Distrito de São Francisco Xavier, em dar continuidade ao Festival da Mantiqueira (hoje chamado de Encontro na Mantiqueira), realizado por oito anos consecutivos.

O abandono lacônico do Governo Estadual de um dos melhores eventos literários do Estado de São Paulo é prova de incapacidade e falta de comprometimento com ações bem planejadas. Os resultados das oito edições do festival não foram registrados nas páginas dos jornais ou consolidados em livros e publicações, muito menos os pensamentos dos conhecidos autores que passaram pelo evento.

A crise política pela qual estamos passando reforça os erros dos nossos governantes, mas também nos anima a seguir em frente e a mostrar que eles, ‘políticos’ que são, estão experimentando do reflexo de suas próprias imagens e atitudes equivocadas, fruto de despreparo, comprometimento ou de assessoramento equivocados.

Diante dessa nova realidade, o que de melhor ficou foi a semente, o sentimento do movimento literário como indutor da melhoria cultural, do desenvolvimento do distrito e da região. São Francisco Xavier, incrustado na Serra da Mantiqueira, poderá ser o exemplo que tanto precisamos para mostrar que a sociedade sabe se organizar nos momentos difíceis e responder às perguntas que ficaram no ar.

A entrega da antologia do 4º Prêmio SFX de Literatura 2016 vence o desafio da transposição do movimento cultural do Estado para a iniciativa da comunidade valeparaibana, com apoio das academias de letras de São José dos Campos, Jacareí, Caçapava, Lorena e do Instituto de Estudos Valeparaibanos (IEV). Somente neste ano foram registradas 373 inscrições de 167 autores do Brasil, Portugal, Alemanha, Japão e Inglaterra.

O próximo desafio, o 5º Prêmio SFX de Literatura 2017, promete um mergulho ainda maior em nossas convicções e na de nossos parceiros, na busca da autonomia para a realização de uma ação mais completa e uma possível interação com a Casa de Machado de Assis.

(*) Cristovão Cursino é criador do Prêmio SFX de Literatura

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Cadê o público? Perguntas ainda sem respostas!

(*) Cristovão Cursino

Este é o quarto ano que participamos do Festival da Mantiqueira – Diálogos com a Literatura e vimos com tristeza o pouco volume de visitantes nas ruas e no comércio de São Francisco Xavier, distrito de São José dos Campos. Por duas vezes já me manifestei sobre o assunto, nas apresentações da publicação das antologias de 2013 e 2014 do Prêmio SFX de Literatura.

Há um ditado que diz o seguinte: “Tão  importante quanto às  respostas são as perguntas que precisam  ser feitas”. Neste caso, as perguntas são muitas e as que foram feitas até o momento deixam uma série de outras perguntas no ar.

As respostas, até o momento, não são suficientes para justificar tamanha falta de planejamento e compromisso com um evento tão importante para a literatura. E que está entre os dez melhores realizados num país carente de ações estruturantes para formação da cultura e educação do povo.

As  explicações da senhora Natália Duarte, coordenadora do Festival da Mantiqueira – “O grande show no sábado à noite contribuía para o aumento de pessoas no evento”; “O perfil do público presente vai  de encontro com a proposta do festival” e “O evento tem passado por uma reformulação em busca de sua identidade” –, divulgadas recentemente em matéria publicada por este jornal, são poucas diante do imbróglio criado pelas políticas culturais dos governos do Estado e do Município.

Não é de hoje que se pergunta se eles conversam entre si e se estão fazendo  o mesmo evento. É visível o descompasso e a separação das ações. Por duas vezes tive a afirmativa de dirigentes da FCCR que eles não podiam interferir na  realização do evento, pois se tratava de uma ação do Governo do Estado, cabendo ao município somente criar condições e não interferir no processo, tipo ‘pacote fechado’, aceita ou aceita!

Esperava-se que com a chegada dos novos governantes e dirigentes culturais do PT, a atitude arrogante que perdurou durante o governo leniente do PSDB fosse mudar, mas quase nada mudou. A informação é que a verba para a realização do festival de 2013 foi reduzida em quase 50% do valor aplicado em relação ao ano anterior.

O que será que aconteceu? Será que foi a troca de governo do município? Será que não interessa a realização do Festival da Mantiqueira pelo governo do PT? Políticas partidárias à parte, o que interessa é a ação cultural que deve ser considerada como um bom negócio sócio cultural  e econômico. Os investimentos precisam trazer resultados.

Trata-se de capital, recursos públicos, advindos dos nossos impostos e  que as respostas, importantes sim, dadas até o momento, precisam ser mais abrangentes. E as perguntas, estas sim, devem ser  formuladas pelos dirigentes maiores, ou seja, governador, prefeito, Secretaria de Cultura do Estado e FCCR, que não conseguem cobrar os resultados.

É simples dizer “não deu, vamos reformular”, quando não se tem nada para conferir ou avaliar os resultados da ação. Não se viu até o momento nenhum relatório de resultados na mídia ou mesmo uma simples publicação, reunindo os melhores pensamentos dos ‘Diálogos com a Literatura’ que, ao que parece, estão mudando de ares, deixando ‘à margem’ os interesses da comunidade.

Agora, o que nos resta é juntar as forças da região do Vale do Paraíba, da chamada região metropolitana, e lutar para não perdermos um dos maiores e mais importantes eventos culturais voltado à literatura do país.

(*) Cristovão Cursino é criador do Prêmio SFX de Literatura

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Palavra do Editor

Cristovão Cursino
(*) Cristovão Cursino

A realização do 2º Prêmio SFX de Literatura 2014 é um acontecimento ímpar em nossa jornada. Não só rumo à construção de um movimento cultural em prol dos autores regionais, como também do reconhecimento da importância da literatura valeparaibana neste início de século; além de uma maior integração com autores de outros estados da nação.

Foram mais de 250 trabalhos e 110 autores, inclusive duas inscrições de brasileiros radicados na França. O número de obras e de participantes cresceu e exigiu dos parceiros um desdobramento maior para cumprirmos o compromisso de colocar em tempo recorde a publicação nas mãos dos ganhadores, pois a data de realização do Festival da Mantiqueira foi antecipada para os dias 4, 5 e 6 de abril, em função da realização da Copa do Mundo de Futebol em nosso país.

Gostaria de compartilhar meu contentamento pela realização do concurso, com o nível dos trabalhos dos participantes e o desprendimento dos parceiros e instituições que nos apóiam – as academias de letras de Jacareí, São José dos Campos, Caçapava e Lorena; e também do Instituto de Estudos Valeparaibanos (IEV). Por sinal, a junção destas instituições está se transformando no maior movimento cultural de união entre as academias de letras do Vale. Esperamos para os próximos eventos poder contar, também, com a participação de agremiações culturais de outras cidades.

No ano de 2000 publicamos pela Associação Comercial e Industrial (ACI) de São José dos Campos o livro ‘São José Urgente’, uma análise sócio-econômica do município joseense nos últimos vinte anos; e solicitamos a 20 personalidades ligadas à cidade uma projeção para um possível planejamento para os próximos 20 anos.
  
Entre os temas propostos, um deles sobre a política regional, abordou-se a necessidade e a importância de um maior e melhor relacionamento de São José dos Campos com outros municípios do Vale, em todas as áreas. A sugestão foi feita pelo articulista Benedicto Sergio Lencioni, historiador, ex-prefeito de Jacareí por duas gestões e ex-presidente do Consórcio de Desenvolvimento do Vale do Paraíba (Codivap):

“As verdadeiras lideranças precisam ser cosmopolitas olhando além de suas fronteiras para que os benefícios de toda região também possam ser trazidos para seu município através de parcerias. O novo líder não ergue muros ou barreiras, mas, ao contrário, derruba-os. Avançar e conquistar é a nova missão do líder que não se isola”.

Hoje, 14 anos depois, com vários governos diferentes, vimos que a cidade não mudou quase nada em seu comportamento, particularmente na área da literatura. Continua segregando os autores da região, não permitindo que eles participem do festival realizado no distrito de São Francisco Xavier, com a exposição e venda de suas obras.

Obrigado a todos e até 2015, para o 3º Prêmio SFX de Literatura.

(*) Cristovão Cursino é criador do Prêmio SFX de Literatura

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Propagação da literatura e incentivo aos escritores

Wilson R. Poeta
(*) Wilson R. Poeta

Se o advento do Modernismo libertou o poeta da obrigatoriedade da rigidez formal (coisa que, aliás, foi apenas institucionalizada, pois muitos autores já o haviam feito bem antes), é preciso lembrar que a poesia, em seu sentido mais profundo, ainda é e sempre será a expressão do belo. Um quadro, uma fotografia, uma música, uma cena do dia a dia podem nos despertar o sentimento de beleza – logo, podem ter poesia. Já o poema é uma composição em versos e, não obstante, deve trazer poesia em si, poesia esta expressa na beleza de sua forma, nas imagens que evoca, no seu ritmo, no seu sentido explícito ou subjetivo – ou na combinação harmoniosa de vários desses quesitos.

E o poeta, artífice dessa beleza, deve estar ciente de que o conhecimento profundo de sua arte envolve estudo. Sim, o poeta deve estudar as formas, o poeta deve conhecer a métrica, deve explorar as possibilidades rítmicas e ser capaz de identificar esquemas rímicos. E isso não quer dizer que ele deva prender-se a este ou aquele estilo, que ele deva seguir esta ou aquela técnica. Significa que ele deve aprimorar-se para experimentar recursos que, utilizados, evitados ou subvertidos, poderão enriquecer sua obra. Sim, para subverter e mesmo para ignorar é preciso conhecer. E para conhecer é preciso estudar.

E são o estudo e o conhecimento da arte literária que obras como esta procuram valorizar. Um prêmio literário tem como missão muito mais que contemplar alguns trabalhos que se destacaram – tem como norte a propagação da literatura e o incentivo aos escritores que, na contra mão da tendência atual, seguem adiante nos estudos, pois sem eles não se chega a lugar algum.

Congratulações a todos os participantes e aí vai o alerta: estudem e continuem estudando; escrevam e continuem escrevendo. Não há outro modo de aprimoramento.

Parabéns à organização e, em especial, às Academias de Letras envolvidas, entidades cada vez mais empenhadas em deixar a comodidade de suas cadeiras e contribuir, de forma prática, para a divulgação das letras.

(*) Wilson R. Poeta – Presidente da Academia Joseense de Letras

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Tempo da plenitude!

Brasilino Alves
(*) Brasilino Alves de Oliveira Neto

Decorre um tempo e a crisálida torna-se borboleta.
Temos manhã, tarde e noite para completar o ciclo do dia.
Lança-se a semente, decorre o tempo e surge a fruta.
Não adianta querer apressar o curso do rio, pois ele tem seu tempo.
... o óvulo, a germinação e o nascimento.
Enfim, tudo, ou melhor, quase tudo, tem seu tempo de maturação, de alcançar a plenitude.

Porém, temos um fato que subverte o curso natural, de que tudo se dê ao seu tempo.

Falamos do “Prêmio de Literatura de Contos e Poesias de São Francisco Xavier”, que não cumpriu os prazos naturais para alcançar a plenitude, pois a primeira edição já ‘nasceu’ média e a segunda gigante, eis que foram 250 trabalhos entre contos e poesias, vindos de 15 estados brasileiros e outros, do exterior.

Desnecessário falar da dificuldade que a Comissão teve para pinçar 15 contos e 15 poesias num universo deste porte, especialmente por suas qualidades, beleza e harmonia, com a maioria disputando as avaliações dos componentes da banca.

O incentivador Cristovão Cursino e a JACursino Editores, os promotores do concurso, pelo número de participantes desta segunda edição, devem começar a preparar desde já a banca seletora para 2015. O futuro que se avista é grandioso, pois continuará mostrando o celeiro de poetas e contistas que, com seus trabalhos alegram, emocionam e tornam felizes as pessoas.

A Academia Caçapavense de Letras sente-se honrada em participar deste projeto.

(*) Brasilino Alves de Oliveira Neto – Presidente da Academia Caçapavense de Letras

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A ‘metropolização’ da literatura

(*) Cristovão Cursino

São Francisco Xavier, distrito de São José dos Campos, é um local bucólico, com menos de quatro mil habitantes, localizado a 54 quilômetros do centro comercial e industrial da cidade que integra a ‘nova’ região metropolitana e que abriga o maior complexo aeroespacial da America Latina. Durante três dias, São Francisco Xavier transforma-se no centro da literatura do Estado de São Paulo.

A escolha do local não poderia ter sido melhor. Quando se tira do agito das grandes cidades uma parte do centro das decisões, pelo menos por alguns momentos, temos a sensação de estarmos, de certa forma, definindo um novo curso desejado para nossa literatura.

Em que pese a política cultural dos governos estadual e municipal, ainda não foi suficientemente esclarecedora a participação dos autores da cidade e da região, dando espaço para uma série de divagações que em nada contribuem para a grandeza da iniciativa e seus propósitos.

Em 2011 tivemos a oportunidade de participar do evento pela primeira vez. Montamos um estande na Barbearia Magalhães, do seu Benedito, com livros de autores da região publicados pela JAC. Além disso, também expusemos na tenda da Fundação Cultural Cassiano Ricardo (FCCR) uma coleção de livros de 140 autores da região.

A experiência foi importante, só que sentimos a falta de interação entre os vários interlocutores interessados, ficando nítido o descompasso entre os objetivos, ação e interesse de cada um, principalmente do autor da região ou da cidade. Situações que devem ser repensadas a partir de uma nova realidade geopolítica.

Que a ‘metropolização’ não se prenda apenas às obras físicas ou aos discursos e que seja uma boa e importante oportunidade de valorizarmos a cultura de nossas comunidades.

De nossa parte, estamos colocando um mecanismo que poderá contribuir de forma simples e objetiva para facilitar a ação dos diversos interlocutores – os diretamente interessados, os responsáveis pela organização e pelos resultados do evento –, suas consequências na comunidade local, regional e para o engrandecimento e difusão da literatura.

Instituir o concurso literário Prêmio SFX de Literatura de contos e poesias para 2013, é uma resposta às várias indagações que nos foram expostas durante o ano e que agora ganha corpo. Esperamos encontrar eco nas mais diversas instituições que estão interessadas em encontrar soluções criativas para esta ‘nova’ e importante região.

(*) Cristovão Cursino é criador do Prêmio SFX de Literatura
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Feliz Iniciativa

(*) Nelson Pesciotta

Comunica-me o amigo Cristovão Cursino seu projeto de instituir, à margem da celebração intelectual e anual do distrito de São Francisco Xavier, um concurso literário de contos e poesias, de caráter permanente.  Tarefa empolgante e inédita, por partir de um editor interessado apenas na divulgação dos valores literários do Vale do Paraíba.

Cumprimento-o pela coragem e desde logo lhe trago a solidariedade do Instituto de Estudos Valeparaibanos (IEV), cujo presidente, o professor Francisco Sodero Toledo, luta pela difusão da cultura regional, rica em talentos, mas pobre em recursos e organizações para a popularização dos nossos valores artistas das letras.

Sei que é difícil a luta por objetivos culturais e conheço uns tantos produtores que se estiolam em trabalhos, buscam reconhecimento pelo seu esforço, mas não conseguem vencer a barreira ao seu sucesso.  Mas, quando um editor se dispõe a pôr em evidência os poetas e contistas anônimos, como também os poucos já consagrados, estou ao seu lado e o parabenizo pela idéia do projeto.

(*) Nelson Pesciotta é membro do Instituto de Estudos Valeparaibanos (IEV) e da Academia de Letras de Lorena.